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A concentração de artesãos do barro no município de Vitória, notadamente no distrito de Goiabeiras, a terra da panela de barro , onde trabalho é preferencialmente executado pôr mulheres. Mas outras regiões do estado apresentam também boa produção de cerâmica, manual e de torno.

A matéria-prima pode ser comprada em bolos, em revendedores, ou retirada gratuitamente à beira de rios, nos barreiros e até nos fundos de quintais. Trata-se geralmente da tabatinga, descrita como barro branco arenoso, material essencialmente plástico e maleável. Recolhido, o barro é guardado à sombra onde o artesão trabalha, geralmente telheiro recoberto de palha.

O preparo do barro pode iniciar-se com a mistura de areia, para ajudar a liga. Nesta fase da operação é resolvido com enxada ou outro instrumento, socado e peneirado, sendo a seguir dividido e amassado com água, formando pilhas, das quais se destacam as porções que serão trabalhadas a mão.

O instrumento aplicado é praticamente idêntico em todas as regiões produtoras. O artesão tem ao seu lado vasilha para depósito da água que amolecerá o barro, e utiliza fragmento de cuia ( cuité, fruto da planta chamada cangaceira ) com o qual puxa a obra - isto é, inicia a criação do objeto. Tal função pode ser preenchida também pôr sabugo seco de milho, enquanto a cuia tem ainda como utilidade alisar as paredes internas da peça. Com a faca , de metal ou madeira, cortam-se excessos de barro, raspando-se a peca em execução como se faria com uma espátula. A faca pode ser substituída pôr fragmentos de madeira, que recebe, pôr vezes, os nomes de tabuleta ou palheta. Depois de firmada a peça, estando quase seca, é lixada com um seixo de rio, ou com a semente amucanã, fruto do queirinho do campo, ou, ainda com a noz olho de boi, o acabamento final é dado com simples colher de metal ou com o arco de barril que raspa a superfície da peça.

Os artesãos do barro assentam o seu trabalho sobre uma tábua que, na cerâmica manual, faz as vezes de torno, pois pode ser movimentada, mudando a posição da peça em relação ao autor. Na cerâmica de torno, o processo mais usual é o de torno de pé. A bola de barro, preparada de acordo com o mesmo processo de amassar o material misturado com areia, é colocada sobre a roda superior do torno. Este é acionado pelo pé do artesão, pousado na roda inferior, enquanto as mãos, na superior, puxam as paredes da peça.

A secagem das peças se inicia à sombra. A ação do sol ocasiona fendas e rachaduras. Vem depois a queima, a fogo a fogo descoberto quase que exclusivamente na região de Vitória, e em fornos de barro, em outras regiões. Normalmente o artesão faz seu próprio forno, com tijolos.

Após a queima, as peças são pintadas. Em Goiabeiras, a tinta provém da casca socada do mangue, denominação local para designar planta de beira d'água, freqüente nas restingas e banhados salgados. A tinta preta assim obtida é espalhada com vassourinha, caracterizando a cerâmica da região. Em diversos municípios, tintas provenientes de outros sumos vegetais e as industrializadas são também empregadas, assim como vernizes. Predominam contudo as peças sem pintura.

No artesanato capixaba do barro a maior produção é de peças utilitária. Panelas pequenas, chamadas filhas, são acondicionadas para venda dentro das grandes, chamadas mães. Cofres zoomorfos, chaleiras, frigideiras, assadeiras, pratos, caldeirões, vasos, castiçais, cinzeiros,. Potes, filtros, moringas, bules, bebedouros para aves, canecas, são feitos em escala apreciável. São menos freqüentes as peças de cerâmica figurativa, animais, santos e figuras humanas em geral, em muito menor escala. Os presépios cujas figuras são modeladas em barro figuram em escala mínima.

É de assinalar-se a importância atribuída ao vasilhame de barro na cozinha capixaba: as frigideiras e as panelas de Goiabeiras são consideradas quase que um ingrediente das receitas, uma garantia de seu sucesso. Foram registrados 47 ceramistas, cerca de 3% do total de artesãos cadastrados.

Há predominância feminina no artesanato do barro. Na faixa dos 40 aos 59 anos situa-se o grupo mais numeroso de homens e mulheres. A zona urbana é o local de residência da maioria. No aprendizado da técnica predomina a observação do trabalho de outros artesãos, a transmissão direta é feita com maior freqüência pêlos pais.

A maior parte dos artesãos do barro trabalha sem auxiliares (70%) . Cerca de 43% mantém suas famílias com o produto da venda de suas peças. No tocante à comercialização, os ceramistas, na grande maioria, vendem suas peças diretamente, nas próprias casas. Apenas um terço dos ceramistas as vendem em outras cidades.

Dezembro e janeiro são os meses de maior procura do produto artesanal. A região de Vitória registra maior concentração de ceramistas mas a produção está bem distribuída, figurando em 20 outros municípios.


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