
Quadrilha, é a denominação de uma das danças mais conhecidas no Brasil. Segundo uns, é de origem inglesa. Provindo das country dances; segundo outros, de origem francesa, quadrille , pôr sua formação em grupos de quatro pares; ou, ainda, uma das componentes da contradança.
Dos aristocráticos salões europeus, chegou ao continente americano no século XVIII, figurando no protocolo dos bailes das cortes. Trazida ao Brasil pôr mestres de orquestras de danças francesas, tem o seu auge nas festas nobres do período da Regência, com o maior rigor na observância do modelo, cumprido meticulosamente em todos os pormenores. Atingiu as províncias e já em 1790 constava da relação de comemorações oficiais em Mato Grosso. Wanderley Pinho ( 1959 ) informa que no último baile solene do Paço, a 31 de agosto de 1852, dançaram-se vinte quadrilhas.
O povo abrasileirou e criou outras formas. Sua constância nos bailes populares mereceu a crítica de Lopes da Gama, que a 23 de outubro de 1842 registrava no Campuceiro :
"O furor das contradanças
pôr toda partes' estende
a todo gênero humano
a quadrilha compreende.
Nas baiúcas mais nojentas
onde a gente mal se vê
já se escuta a rabequinha
já se sabe o balancê. "
O meio folk a guardou e não há festa junina, nem casamentos e outras reuniões familiares sem quadrilha. É encontrada também em estabelecimentos de ensino e em clubes, mas em arremedo quase sempre caricato da concepção singela e pura do modelo 'caipira'.
É dança de pares ( comumente em número múltiplo de quatro ) , com figurados que possuem denominação referente à disposição e movimentação dos dançadores, sem ordenação fixa, sempre a critério do 'marcador' , a quem cabe conduzir o grupo. As figurações tem medidas variáveis, predominando em algumas a de oito compassos, em outras a de 16 e os pares como que desenvolvem um tema de amor, com aproximação e recuos, separação e reencontro , terminando com feliz enlaçamento.
O comando francês ( en avant, en arriêre, balancer, tour, changer de dames, etc. ) , foi adotado e adaptado pelo povo, o marcador passando a criar situações inesperadas, provocadoras de risos e descontração.
O acompanhamento instrumental mais comum é o da sanfona e a música, com a quadratura formal requerida pela movimentação se desenvolve preferentemente num allegro ou allegretto de 2/4, sem embargo do ternário da valsa, quase sempre presente ao término da dança.
No Espírito Santo, os grupos cadastrados mantém uma tradição de família e se localizam em bairros, povoados e fazendas, verificando-se em Linhares, no Distrito de Rio Bananal, uma homenagem dos dançadores ao sanfoneiro.