
O mineiro-pau é uma dança folclórica que se insere no tipo de dança guerreira pôr servir o bastão como arma de ataque e defesa nas simulações de combate. Recebe ainda denominações maneiro-pau e manejo-pau, possivelmente em conotação com o trato popular das expressões maneiro e manejo, o emprego jeitoso das mãos para a execução de alguma coisa com destreza e habilidade.
Havia uma antiga dança de roda de pares, conhecida pôr todo o Brasil, que se chamava mineiro-pau . Sua cantoria era de quadras tradicionais ou improvisadas e, no final de cada verso, dançadores e assistência cantavam o estribilho mineiro-pau ( que ainda circula neste outro mineiro-pau ) , ritmado com as batidas das mãos.
"Vou-me embora, vou-me embora,
mineiro-pau, mineiro-pau,
segunda-feira que vem
mineiro-pau, mineiro-pau,
quem não me conhece chora
mineiro-pau, mineiro-pau
que fará quem me quer bem
mineiro-pau, mineiro-pau. "
A roda girava e os versos se sucediam, amorosos, sentimentais, humorísticos, saudosos.
Havia também nos engenhos do nordeste muitos hábeis manejadores de bastão ou cacete, que constituíam uma tropa mobilizável, da qual o senhor dispunha nas situações mais difíceis. Daí imaginar-se que o mineiro-pau tenha surgido da união da antiga dança com o manejo dos cacetes. O grupo é formado exclusivamente pôr homens. As mulheres que figuram em algumas composições compete o desempenho da parte vocal. Não há número determinado de participantes, nem obrigatoriedade instrumental, tampouco de indumentária. Nos registros do Espírito Santo verifica-se a preferência pôr camisas de mangas curtas, calças ou calções com cores livremente escolhidas; acompanhamento musical, às vezes apenas um acordeão ao centro da roda, juntando-se, em outras, o violão, triângulo, pandeiro e tamborim.
A direção cabe ao mestre ou chefe, que comanda, com um apito, as evoluções, as batidas de bastão, o ritmo, a cantoria. A formação é em fileiras, filas, círculos, pares, com ou sem dançador ao centro. Os participantes são adultos, mas um dos grupos registrados é somente de jovens.
Os bastões, com cerca de metro e meio, de madeira roliça, resistente, permitem ao dançador um manejo firme e seguro.
O mestre apita. A dança vai começar. E ergue-se o canto:
"Rola pau, corta machado
mineiro-pau, mineiro-pau
que a dança vai começar
mineiro-pau, mineiro-pau
rola saudade também
mineiro-pau, mineiro-pau
de quem gosto de lembra
mineiro-pau, mineiro-pau."
No momento do estribilho, cantado pôr todos, os bastões tocam o chão e imediatamente são erguidos e se entrechocam acima da cabeça dos dançadores. Durante os versos continuam dançando, para de novo movimentarem os bastões no estribilho seguinte.
No variar do ritmo das batidas, das evoluções e da disposição dos dançadores revelam-se a arte, a criatividade e a beleza de uma dança folclórica que entusiasma e empolga a assistência.
A apresentação do mineiro-pau não tem data fixa e em qualquer ensejo festivo lá estão os dançadores pelos largos e praças, compondo filas e caracóis, brandindo seus bastões ornamentados com fitas.