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Fato folclórico, estruturado de forma a privilegiar ora seu elemento dramático, ora a brincadeira, sendo sua característica essencial o sentido de representação. Na apresentação/representação do folguedo o indivíduo assume provisoriamente um ou vários papéis.

Os Congos

Os congos ou bandas de congos são grupos compostos de homens, em número variável - dez a trinta - que tocam e cantam em dias de festas de santos ( São Benedito, São Sebastião, São Pedro ) , nas puxadas de mastro ou em festas eventuais.

A puxada, o levantamento e a fincada do mastro atraem muitos devotos. Porém, a fase inicial, processada dias antes da festa, com a presença da banda de congos, é a derrubada da árvore escolhida para esse fim.

No dia do santo, o mastro, adornado com bandeirinhas, flores e fitas, com o quadro do orago no tope, é transportado até a igreja dentro de um barco de dois metros, puxados pôr cordas ou então amarrado com correntes a várias juntas de bois. O levantamento e a fincada se processam ao som dos cantos da banda de congos e espocar de foguetes.

De modo geral, não há indumentária especial: dançam com roupas comuns. Em alguns grupos aparecem mulheres representando a Rainha e conduzindo a bandeira do orago: São Benedito, São Sebastião, Nossa Senhora do Rosário. Nestes casos, a maioria das vezes, trajam vestidos longos, azul ou branco, com enfeites. Apresentam-se predominantemente no período de 25 de dezembro a 20 de janeiro.

As cantigas, sobre temas variado, guardados de memória ou improvisados, são entoadas de forma dolente, dando-lhes um toque de tristeza indefinida.

Nos registros antigos há referência a tons monótonos e lúgubres. Guilherme Santos Neves ( 1949 ) , comentando uma toada de Congo sobre o tema de amor.

''Eu to chorando, ô Maria
vem me acalenta, ô Maria
Pôr causa do amô, ô Maria
Que me faz chorá
Ô Maria ... "

Observa : "Do feixe de cantigas de Congo que ouvimos, esta é sem dúvida a mais triste. Aquele ô Maria, que o coro entoa repete, é tão lânguido e demorado que, além de monotonizar a toada, provoca mesmo certa angústia em quem a canta e ouve".

Outras toadas coletadas na Serra ( 1977 ):

"Cai sereno cai
na copa do meu chapéu;
cai sereno cai
sereno que vem do céu.
Nossa Senhora da Penha
é madrinha de João,
eu sou afilhado
da Virgem da Conceição.
Ei bananeira
ei bananá
ei bananeira
ei bananá..."

Os instrumentos são também em número variável, determinados de acordo com os elementos do grupo: chocalhos, cuícas, congos, casacas, tambores, caixa, ferrinhos ( triângulos ) , sanfonas, pandeiros, ganzás. Entre eles merecem destaque a casaca, estudada pôr Guilherme Santos Neves ( 1978 ) , que a considera única em todo o país, e fartamente indicada em registros do século passado.

Denominada também reco-reco de cabeça, a casaca é constituída de "um cilindro de pau de 50 a 70 centímetros de comprimento, escavado numa das faces em que se prega uma lasca de bambu com talhos transversais, sobre os quais se atrita uma vareta. Na extremidade superior desse reco-reco se esculpe, na própria madeira, uma cabeça grotesca, com pescoço comprido, pôr onde se segura o instrumento".

Instrumento típico das bandas de Congo, a casaca tem outras denominações: cassaca, canzaca, canzá, ganzá, caracaxá, reque-reque e reco-reco. Ao tocador dá-se o nome guerreiro de tocador de reco-reco ou reco-requista, casaquista e folgador, segundo inquérito realizado em 1953, no estado, pela Comissão Espírito-santense de Folclore ( Neves, 1954 ).

As bandas de Congo constituem manifestações próprias do folclore do Espírito Santo.

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