
Batuque, jongo, caxambu, tambor ou catambá, tem a mesma forma da dança de roda, no Espírito Santo, refletindo sua origem negra, de Angola, o jongo expressa sua antiga função mágica, fetichista, num estilo nativo onde se mesclam elementos de macumba; tende hoje a se tornar apenas um divertimento, pôr não mais existirem os antigos jongueiros que conheciam os fundamentos e os segredos da reunião.
O canto caracteriza-se pela alternância contínua de um solista que tira o 'ponto' e do coro que repete a sua parte final, salientando as qualidades naturais dos jongueiros; os solistas improvisam versos, numa linguagem quase sempre simbólica, expressando humor, pedindo licença, homenageando santos e pessoas, celebrando datas, apresentando e resolvendo enigmas; desafiar ou responder são traços essenciais da dança.
A espontaneidade da expressão corporal, refletindo emoções, temperamentos e costumes do povo negro evoca as mais antigas tradições dos escravos. Os movimentos são naturais com propensão à virtuosidade individual, própria do seu talento para dança.
O ritmo tem função preponderante. A música pela simplicidade de sua inspiração e de sua forma, é mais uma colaboração animadora do ritmo. As repetições e brevidades das frases musicais, características da estrutura da música negra, às vezes se agregam elementos polifônicos, a duas e a três vozes. Há um entrelaçamento do canto solista com o coro, sem interrupção. Não se pode abstrair a música da dança.
Os instrumentos mais freqüentes são: os tambores, a puíta, colocados fora da roda, e a angóia, usada principalmente durante o canto solista. Os tambores, de fatura arcaica, são feitos de tronco escavado e recoberto uma extremidade pôr uma membrana de couro de boi, veado ou cachorro é considerado malévolo, sendo preferido o de boi.
Variando em forma, dimensão e material empregado na sua feitura, os tambores recebem nomes que lhes são próprios: caxambu ( que também caracteriza a dança ) , tambu, candongueiro e ainda outros recebidos nos batismos, predominando nomes de pessoas.
O tambu ou caxambu é o tambor maior, afunilado, de até 1,5cm de comprimento; colocado horizontalmente no solo, o tocador o cavalga e bate com as duas mãos no couro. O candongueiro semelhante a uma pequena barrica, com 60cm, é colocado sob o braço esquerdo ou carregado a tiracolo, pôr meio de um cinto de couro. A cuíca ou puíta é instrumento de fricção: feito de barrilzinho ou tronco oco, é recoberto em uma das bocas pôr uma pele, que tem presa, interiormente, uma tira de couro, que friccionada com a mão, produz um ronco cavo. Angóia ou chocalho é um instrumento idiofônico - cestinha de bambu, cabaça ou pequena lata, com pedrinhas. Alguns destes instrumentos agrupados apresentam sutilezas de nuanças rítmicas e uma polirritmia surgida do improviso e da grande variedade de acentuações. Geralmente, ao instrumento mais sonoro e grave, o tambu, se sobrepõem a puíta e a angóia e os tocadores estabelecem uma espécie de esquema rítmico ininterrupto.
À noite, a percussão do tambu dá o sinal para o inicio da festa. Homens, mulheres e crianças, pretos geralmente, com roupas comuns, se aproximam do terreiro para dançar ou apenas apreciar os jongueiros.
Uma fogueira próxima à roda, além de iluminar o terreiro, serve para temperar ( afinar ) os tambores e esquentar as bebidas. O mestre jongueiro inicia o ponto de pedido de licença, dirigido às almas, aos assistentes, num verdadeiro ritual. Os instrumentos acompanham quase em surdina, somente intensificando a percussão quando todos, em coro, repetem o 'ponto' , até que um novo seja formulado. Quando este tem caráter de enigma, de desafio, o 'decifrador' , através de sinais ou palavras convencionais, interrompe a percussão e a dança para responder, ou, de acordo com a terminologia própria, 'desatar o ponto' , cujo final é imediatamente repetido pelos dançadores. Cantando um novo ponto ou desatando-o, sempre há um pedido de licença. Esse respeito é característico em todos os sentidos: da hierarquia do chefe. O 'galo' , da função dos tocadores e de dançadores, assim se mantendo do início à despedida. Os pontos são classificados em: de licença, louvação, visaria, demanda, 'encante' e despedida, em forma de versos, dísticos ou em prosa, lembrando ou revelando fatos diários, criando temas, etc. Tirados com inteligência, sutileza, numa linguagem simbólica, e, pôr isso mesmo, enigmática, incompreensível aos que a ela não estão habituados.
Própria das festas de 13 de maio, joaninas e natalinas, a dança também é apresentada em outras datas festivas. No sul do estado, num continuum geográfico e cultural das manifestações folclóricas do Rio de Janeiro, típico do ciclo do café, recebe diversos nomes: batuque ( Conceição da Barra ); jongo ( Alegre, Anchieta, Castelo, Gurapari, Iconha, Itapemirim, São Mateus ) , caxambu ( Alegre, Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Guaçuí, Jerônimo Monteiro, Muqui, Presidente Kennedy e São Gabriel da Palha ).