
Capoeira, entre outros significados, é luta para os angoleses. Pôr muito tempo essa foi também, no Brasil, sua principal função, usada como defesa do escravo contra o branco que o perseguia. Mais tarde passou a servir de divertimento ( brinquedo ) nas reuniões festivas. Com o tempo, perdeu seu caráter de luta, adquirindo uma técnica sistematizada de jogo, chegando a ser motivo para a criação de academias de capoeira, sendo a primeira delas a do mestre Bimba, fundada em Salvador ( BA ) , em 1932.
Como dança, influenciou o frevo e desenvolveu um virtuosismo afastado de seu sentido primeiro. Sua coreografia, de intenso dinamismo, usa o espaço em todas as dimensões.
As descrições mais antigas da capoeira não se referem aos instrumentos musicais, o que permite a suposição da apresentação sem acompanhamento, modalidade ainda em uso nos estágios iniciais de aprendizado em algumas academias.
Melodias e ritmos são denominados toques, adaptados e ligados aos golpes; alguns gerais empregados pôr todos os grupos ( São Bento Grande, São Bento Pequeno, Benguela, Cavalaria, Santa Maria, Iúna, Angola ) , e identificam os conjuntos de capoeira que os criam.
O conjunto instrumental ( berimbau, pandeiros, ganzás, agogôs, adufes, atabaques ) acompanha o vocal, possuidor de um repertório de cantigas próprio e/ ou emprestado de outras manifestações e conduz o ritmo, apoiando os golpes.
Assim como a música, a ginga, os toques e golpes da capoeira, são heranças que sobrevivem, acrescidas de inovações.
O berimbau ou urucungo, que de início servia para alertar os escravos escondidos nas capoeiras, avisando-os da chegada da polícia, passou a ser o instrumento principal. De origem remota como 'arco musical' , documentado três séculos A. C. , compõe-se de uma corda, de preferência metálica, esticadas pelas duas extremidades de um arco de madeira com alguma flexibilidade. Tal corda é posta em vibração pela percussão de uma vareta ou haste de metal, colocada entre o indicador e o médio da mão direita, enquanto a esquerda segura o arco. O som é ampliado pelo ressonador, feito da metade de uma cabaça seca, ou quenga, presa ao instrumento à altura da extremidade inferior, ficando essa abertura apoiada ao ventre do tocador; daí o nome berimbau-de-barriga.
Um maracá ou um caxixi, sustentado pela mão direita através de sua argola que passa em torno dos dedos médios e anular, completa, com vibração, a expressão rítmica da cantiga. A altura do som ( notas diferentes ) é obtida com o emprego de uma moeda grande ( dobrão ) sustentada pelos dedos polegar e indicador da mão esquerda, que, num movimento de vaivém, atinge a corda em distâncias diferentes. Ritmicamente, o tocador pode demonstrar sua habilidade produzindo dois ritmos ao mesmo tempo: um pela percussão da vareta na corda, junto com o movimento do caxixi, com dois timbres característico e outro, intercalando a percussão da vareta na corda com o chocalhar do caxixi, formando um ritmo complementar.
A indumentária, antes a comum, padronizou-se na calça branca ou calça e camisetas brancas. A capoeira é apresentada em praças ou recintos fechados e não é incomum o fato de haver conotações religiosas com o candomblé e umbanda.
Os dançadores desfilam em passos de marcha, um atrás do outro e é o primeiro da fila quem inicia a seqüência interrupta dos golpes ( aú, bananeira, chapa-de-pé, chibata, meia-lua, rabo-de-arraia, rasteira, tesoura etc. ), que vão dos movimentos mais lentos aos mais rápidos.
Embora não se constitua manifestação típica do folclore capixaba, foi cadastrado um grupo em Vila Velha, formado pôr dez rapazes. Aí a capoeira é descrita com a função de 'brinquedo' e não de competição.